sábado, outubro 24, 2026

 post de 04/10/2019 publicado no "oceanodelivros.sapo.pt" às 15:00

Desafio dos pássaros:Tema#4 - A Beatriz disse que não. E agora?




        Estava tudo preparado ao mais ínfimo pormenor, para fazer a surpresa da vida da Beatriz, dando-lhe o casamento de sonho num momento em que não o esperava, os cúmplices tinham sido muitos, do noivo aos pais e sogros, ao nosso grupo de amigos sem esquecer o patrão dela que havia garantido a dispensa dela durante o período de dois dias antes da data do casamento e o tempo da lua de mel, e a coisa tinha sido tão bem organizada que na quinta-feira antes do dia D, a Beatriz nem sonhava o que lhe estavam a preparar.


    Naquele momento, só faltava a Bé convencer a Bia a vir passar o fim-de-semana com ela e a amiga delas a Joana, com a desculpa que esta última estava a precisar das amigas para recuperar do fim do noivado desta, às vésperas do casamento. Todas esperávamos no carro quando a Bé, com um ar de desespero acercou-se do carro e disse:

 -”A Beatriz disse que não. E agora? “

     A Litta, que não era de modas, ligou logo para a mãe da Bia na esperança de que esta nos desse uma ajuda. Meia hora mais tarde a mãe da Beatriz, chegou ao carro e levando a mala de viagem da Bia trancou-se com ela e o chefe da filha e não sei o que foi dito só sei que que nem uma criança mal comportada, a mãe da Bia trouxe-a até ao carro e entregou-nos a filha e foi assim que a noiva foi raptada para o seu próprio casamento. 

    Depois de uma despedida de solteira épica e de um casamento fantástico, a Beatriz fez um discurso agradecendo a todos os cúmplices pelo rapto mais feliz que alguém podia imaginar lhe acontecer, e chorou emocionada, pois não sabia ser tão afortunada por ter tão bons amigos e familiares que lhe deram aquele momento mágico. E nós, emocionados de a vermos tão feliz, também chorámos.

 Inês d’Eça


   Post do dia 11/10/2019 postado originalmente às 16:50 no blog oceanodelivro


Desafio dos pássaros – Tema#5 - Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo





Já farta de ver aquela discussão entre céu e inferno, não me contive e resolvi a solução que pensara enquanto os via a discutir à minha frente:

- “Desculpem interromper, mas acho que posso ajudar. Posso dar a minha sugestão?” Perante a indicação positiva eu prossegui:

- “Jesus ensinou o perdão 70x7, mas, como é sabido, o Hitler foi responsável direta e indiretamente pela morte de milhões, logo, não seria justo um perdão imediato; então, existe este lugar entre o inferno e o purgatório, o umbral onde Hitler pode ser obsidiado pelas suas vítimas durante 70x7 mil anos, após o que lhe é dada a hipótese de reencarnar e, nessa reencarnação, limpar o karma destes crimes. Se ele o fizer, pode lhe ser permitida a entrada no céu, contudo, se voltar a cometer outro crime contra qualquer seu irmão, então será directamente enviado para o Inferno. Deste modo, pratica-se a justiça divina, a fila segue para as suas evoluções, regressões ou castigos, e quer o céu quer o inferno ficam com uns milénios livres do problema de Hitler.

Céu e inferno aprovaram a sugestão, a fila seguiu e eu segui o meu destino.

 

Inês d’Eça




sexta-feira, setembro 11, 2026

  Post do dia 18/10/2019 postado originalmente às 15:00 no blog oceanodelivro

Desafio dos pássaros #6 - “O Amor, uma cabana… e um frigorífico”




Constança assustou-se quando sentiu que Júlio a quem amava perdidamente, chorava copiosamente, ainda que em silêncio. Ergueu-se da cama, obrigou-o a olhar para ela e perguntou-lhe:

- “Que se passa, Júlio? Diz-me.”

Com dificuldade em controlar as lágrimas ele olhou-a, e respondeu com a honestidade que pautava o namoro de ambos:

- “Constança, eu amo-te tanto que sinto que vou morrer de dor porque sei que a nossa relação não tem futuro, como sabes eu sou sozinho na vida, após o 9º ano tive que trabalhar, consegui em vários trabalhos comprar esta cabana que nem casa de banho interior tem, não tem água corrente ou quente, mal tem eletricidade para manter o frigorífico a funcionar, e está tão longe do teu mundo de princesa de Cascais habituada a casa com piscina e lareira, carro aos 18 anos, computador, Internet, perfumes e roupas caras, telemóveis, que por mais medo que sinta em te perder, não mereces esta vida de miséria, pois embora eu seja trabalhador, tornando-te minha mulher estou a sacrificar tudo o que conheces e mereces receber da vida, e nunca conseguirei por mais trabalho que tenha dar-te sequer uma sombra do teu mundo. Por isso sei que mais tarde ou mais cedo vou te perder e não o consigo suportar...”

Constança abraçou e deixou-o acalmar-se, então pegou na sua cara, beijou as suas lágrimas e disse:

-” Julio eu também te amo mais que a minha própria vida, e sei que pertencemos a mundos diferentes, apenas porque tiveste menos oportunidades na vida, mas a minha vida era vazia, ainda que cheia desses luxos que falaste, e eu não era feliz antes de te conhecer, já me convidaram a ficar a trabalhar neste escritório de advogados assim que acabe o estágio, assim em breve também eu vou trabalhar e sei que mesmo com dificuldades aos poucos podemos tornar a casa mais confortável, mas eu sei que só necessito de ti para ser feliz. Prometo não me queixar da nossa vida e nunca desistir deste nosso amor; não desistas tu de nós.”

 

Anos depois, Constança cumpriu a sua promessa a Júlio. A cabana hoje é uma confortável moradia, mas mais importante que isso é o amor e a união que se veem nesta família, cuja história se iniciou com um salvamento e amor e uma cabana com frigorífico…


quinta-feira, setembro 10, 2026

 Post do dia 25/10/2019 postado originalmente às 15:00 no blog oceanodelivro


Desafio dos pássaros #7-A Máscara Capilar e a Compota de Abóbora com amêndoa




  





Raios partam o meu patrão

Que é ganancioso e aldrabão

Só quer saber é do pilim,

E meu Deus, coitada de mim

Se não obedeço-o

Vou para a rua

Mas que fazer, se preciso de viver

Tenho de alinhar na falcatrua

A última das quais então é demais

Quer que eu convença esta bela moça

De seu nome Constança

Farta cabeleira sem esperança

Quer um tratamento capilar

E eu só lhe posso dar

Compota de abóbora com amêndoa

E assim a enganar

Parte-se-me o coração

Mas os meus filhos precisam de pão

 

Acredite, linda moça,

este é um segredo antigo e bem guardado, precioso!

Ponha esta máscara de compota

Que o cabelo deixará de estar oleoso!

A abóbora amacia e hidrata,

A amêndoa repara e fortalece.

São 10 € paga em MB ou numerário?

 

Inês d’Eça





quarta-feira, setembro 09, 2026

  Post do dia 01/11/2019 postado originalmente às 14:56 no blog oceanodelivros

Desafio dos pássaros #8-“Escreve uma carta para a criança que foste"



Sou a do meio com franja esta foto foi da primária no Colégio Feminino Francês em Lisboa ,algures nos anos 80


Minha querida,
 
Há tanto tanto que te quero dizer que nem em 400 páginas caberia, quanto mais 400 palavras,por isso vou tentar resumir ao máximo aquilo que é fundamental que saibas desde já.
 
1º) Tu és muito mais inteligente do que te dás crédito, por isso pára já de te achares menos que os outros, e ainda que não fiques agarrada ao sucesso académico, aproveita o gosto pela leitura e não dependas de gostar ou não do professor para conseguires bom aproveitamento, cria o teu sucesso, investiga a matéria que não compreendas para seres capaz de fazer tudo o que quiseres, tu provaste isso na faculdade, por isso tu és capaz, provaste-o a ti mesma, mas para que não seja tudo tão esforçado começa agora a provar-te que és capaz.
 
2º ) Mantém esse coração generoso e empático porque é das maiores qualidades que tens mantido nesta tua vida. Não acredites cegamente nas palavras, mas vê os sentimentos das pessoas pelas acções, protege esse teu coração de lágrimas amargas que já chorámos, mas não te percas nem te envenenes.
 
3º) Nem tudo o que parece é, e por muito dura que seja esta verdade, aprende desde já que a tua força, o teu pilar, a única pessoa com quem podes contar és tu mesma, porque assim evitas tantas desilusões e rasteiras pregadas pela vida, e não estranhes, às vezes, quem mais amamos é quem mais nos desilude.
Por isso não te esqueças tu és um ser humano muito especial, és forte, guerreira, compassiva, inteligente, culta e sociável, não te menosprezes e quando a vida te abalar lembra-te do que te levou 42 anos a descobrir. E, mais importante, ama-te, ama-te muito, sempre.
Beijos, do teu eu maduro,
 
Inês d’Eça




terça-feira, setembro 08, 2026

 Post do dia 08/11/2019 postado originalmente às 15:00 no blog oceanodelivros



Desafio dos pássaros #9-“Naked wake up "


Sentia o calor do sol a aquecer a pele e sorri ao sentir aquele calor bom do verão na pele, ao virar-me meio acordada senti areia a entrar pela minha boca adentro e juntamente com o estranhar de temperaturas de Verão em pleno Novembro despertou-me completamente, e para minha surpresa vi-me como vim ao mundo e fiquei em pânico.

 

Eu não fazia ideia de como tinha aparecido na praia nem de onde seria aquela praia. Mergulhei na água do mar para tirar a areia de orifícios que eu desconhecia ter e ao sair da água vi um baú um pouco mais à esquerda de onde acordara e sem conseguir compreender a estranheza de tudo aquilo dirigi-me ao baú e abri-o, foi difícil, aleijei-me e a dor garantiu-me que aquilo não era um sonho.

 

Para meu espanto encontrei o que se pode chamar um “kit salva-vidas” com um fato de banho (ao menos a ser resgatada não me veriam em pêlo), fósforos, rede de pesca, uma machadinha, uma mochila e uma rede de dormir, garrafas de água e instruções de como montar um abrigo e sobreviver numa ilha deserta.

 

Passei o resto desse dia a montar um acampamento minimamente seguro, a pescar e a defumar parte do peixe que pescara, e a comer o resto da pescaria. No dia seguinte, montei uma fogueira gigante para acender se passasse algum barco ou avião de modo a ser resgatada.

 

Ao terceiro dia, acondicionei o peixe defumado numas folhas de palmeira, meti 4 das garrafas de água na mochila e algumas bananas duma bananeira que havia junto ao meu acampamento e segui a linha da costa tentando simultaneamente ver se encontrava alguma população e medir o tamanho da ilha (se é que era uma ilha).

 

O tempo que me levou a percorrer a linha costal deu para ver que era uma ilhota pequena sem nada à volta além dum vasto oceano. O resto da tarde desse dia deu para explorar metade do interior da ilha onde encontrei uma cachoeira e um pequeno lago de água doce.

 

Só Deus sabia quanto tempo eu sobreviveria ali, mas um dia acordei no meu quarto com a marca da ferida do baú e sem entender o mistério vivido.


segunda-feira, setembro 07, 2026

    Post do dia 09/11/2019 postado originalmente às 19:08 no blog oceanodelivros


Livro: Shadowfell   Editora: Planeta     Autora: Juliet Marillier     Ano da 1ª Edição: 2012


Sinopse : Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão. 

E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de 16 anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os boa gente e com criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Será Neryn forçada a fazer essa viagem perigosa sozinha? Ou deverá, antes, confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros designos permanecem por esclarecer? 

Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e que a chave para a salvação do Reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.

Minha Opinião: Eu escolhi este livro para a 1ª categoria do #bookbingoleiturasaosol2019, em que o título tinha de possuir as letras S-O-L, e sendo um livro da minha escritora preferida e que eu tencionava reler por ter lido no ano da publicação e já não me recordar de nada.

A história acompanha a jovem Neryn, que vive em fuga pela sua vida, sobrevivendo como pode sem confiar em ninguém.

Nesta luta pela sobrevivência, ela vai descobrindo-se como uma luz de esperança para lutar pelo futuro sonhado para a terra.

No meio de tudo faz amizades improváveis numa terra em que a desconfiança impede a formação de laços naturais na família e comunidade e aprende que mesmo o mais miserável ser que nada tem sempre consegue dar algo de si, uma canção, um carinho, uma palavra, tudo serve quando é dado com amor e humildade. E isto foi uma das coisas de que mais gostei neste livro.

Não quero falar muito mais para não dar spoilers, mas recomendo a leitura e dei  🌟🌟🌟🌟🌟  bem gordas apesar de não ser a minha trilogia preferida da Juliet.

Ainda quero falar da capa. A Editora Planeta tem tido um cuidado maravilhoso com as capas dos livros da Juliet e este não é exceção. Neryn sozinha à beira de um lago, rodeada do verde da floresta, de costas, olhando para uma luz ao fundo. O que eu mais gosto nesta capa é o tom de verde, o azul da capa de Neryn e o lago tranquilo num mundo que sabemos, quer pela leitura do livro, quer pela sua sinopse, estar em caos.


domingo, setembro 06, 2026

   Post do dia 15/11/2019 postado originalmente às 15:00 no blog oceanodelivros

Desafio dos pássaros – tema#10 - "Já Chegámos, já Chegámos"

                    


Quem via aquele casal sexagenário não podia imaginar que eram um casal desfeito há mais de 20 anos a quem na velhice havia sido dada a oportunidade de reviver o amor que os unira e que na verdade nunca morrera. Ambos refizeram nesses anos a vida com outras pessoas, um era agora divorciado, com filhos; o outro, viúvo. Por coincidência, ambos tinham ido àquele jardim tão importante na sua juventude para recordarem esse amor e, no momento seguinte, olhavam-se nos olhos e o coração falou por eles. Estiveram horas e horas a dividir culpas, a reconhecer erros e a validar aquela sensação de que algo inquebrável os unira durante as suas vidas paralelas.


 A dada altura ele diz:


— "Sabes o que eu sinto agora?"  — perante a muda interrogação dela, ele continuou. - “Sinto que nestes anos todos estive a fazer uma viagem interminável e que todo esse tempo eu só queria chegar a casa, e tu, meu amor, és a casa que eu sempre procurei, um dia tive e deixei fugir. Tu és a minha casa, ajuda-me ou deixa-me chegar a casa, eu fui demasiado cego para perceber que o meu lar sempre foste tu.”


Emocionada, ela respondeu-lhe:

— "E tu sempre foste o meu, sim, tens razão, foi uma viagem longa,tortuosa, com lindas paisagens e aventuras, mas também com momentos de medo e solidão, mas agora, e pelo tempo que ainda tivermos de vida, estamos juntos. Não percebeste que, na ânsia de chegar a casa, já chegámos, meu amor, já chegámos.”

 Inês d’Eça